De volta ao pop rock, Guilherme Arantes brilha em Condição Humana

 

Já na primeira audição de Condição Humana – Sobre o tempo, o 26º disco de Guilherme Arantes, duas perguntas surgem imediatamente: ” 1) mas afinal, aonde estava este cara? 2) porquê este som ficou tanto tempo esquecido?”. Após anos de silêncio e de uma pseudo-reclusão na Bahia, onde está instalado o seu estúdio – Coaxo do Sapo – de discos irregulares que passaram em branco por público e crítica – o último foi Lótus, de 2007 – o bom e velho Guilherme Arantes, das rádios e dos hits, felizmente está entre nós.

A pegada de Condição Humana é semelhante à de seus primeiros LP’s, no período 1976-1980, mas com um pé no presente, o que elimina qualquer comparação com o seu próprio passado. Pop e rock, urgente e certeiro, Guilherme apresenta dez saborosas composições inéditas – um número econômico se comparado aos lançamentos de hoje, mas com uma qualidade que, outrora, ficou em segundo plano. Para alcançar um resultado tão bom, o músico convocou feras, como o lendário Tutti-frutti Luiz Sergio Carlini (guitarras, violões), Willy Verdaguer (baixo), Alexandre Blanc (guitarras e violões) e Gabriel “Frejat” Martini (baterias e percussões), que divide a produção do disco com Pedro Arantes, filho de Guilherme.

Redescoberto por uma nova geração de músicos, Guilherme Arantes abriga neste novo trabalho a fina-flor da cena indie paulistana. Convidados como Marcelo Jeneci, Laura Lavieri, Adriano Cintra, Bruna Caram, Mariana Aydar, Thiago Pethit, Curumim, Tiê e Tulipa Ruiz mostram a influência que o músico paulistano, prestes a completar 60 anos – mais precisamente em 28 de julho – teve (e tem) em suas trajetórias individuais. Talvez esta aproximação com os novos músicos tenha favorecido este rejuvenecimento do artista, que afirma no texto de divulgação do CD: Jovem é quem corre para a morte. Velho é quem foge dela. Se estou correndo para a morte, ansiando pelo tempo que me resta correr veloz, então ainda sou jovem. Se estou tentando evitar a morte, se procuro qualquer atalho ou ponte para atravessar o destino inevitável, então estou velho. Não à toa, com este disco eu me sinto de novo com 20 anos.

Em um mercado musical apático, quase morto, dominado por títulos ao vivo e releituras desnecessárias, Guilherme Arantes – a exemplo de Gal Costa em Recanto, de Rita Lee em Reza e de Caetano Veloso em Abraçaço – brilha em seu novo CD, lançado pelo seu selo Coaxo do Sapo, com distribuição da Tratore. Um item indispensável e urgente em qualquer dispositivo que toque música, seja um iPod, um CD player… (aliás: como cairia bem ouvir este Condição Humana em vinil de 180 gramas!).

Ouça o novo álbum, na íntegra:

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